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08 setembro 2014

Quero apenas ser criança


Foto retirada do google imagem - Pode reclamar autoria

Quero apenas ser criança
Brincar, correr, me sujar
Não quero me preocupar se meu cabelo não vai balançar
Quero ver meus amigos e poder, com eles me abraçar
Não quero ficar pensando
"Porque a cor da minha pele é uma e a dele é outra?"
Quero livros de histórias e contos de fada
Não quero ficar questionando
Porque não vejo uma rainha
Com a cor de pele igual a minha,
Mas vejo, a empregada doméstica, a faxineira
A ela, eu sou igualzinha
Ela me parece feia, com o rosto destorcido
Diferente das rainhas (brancas)
Com quem eu queria ter parecido
E seu cabelo sempre preso e escondido
Assim também vive o meu
Quero dizer para minha mãe
Que deixe meu cabelo livre e solto, liberto dos grilhões
Não quero dor no couro cabeludo                      
Bolhas na testa, de tanto receber puxões
E ouvir da minha avó que meu cabelo é duro e ruim
Quero brincar de casinha e ser a mãe sim
Não quero ser mãe da boneca que mais se parece com a minha colega
Será que a minha filha, não pode ser igual a mim?
Quero ser feliz
Mas eu não sei que sou negra
Eu aprendo a ser e me comportar como tal
Não, não quero, chega
Eu quero apenas ser criança,
Sem preocupações distintas da minha idade
Quero a ingenuidade que o racismo não me permite manter
Quero a auto estima que o racismo mutila desde a mais tenra infância e então eu vou ceder
Quero poder viver sem ter que criar defesas psicológicas
Sem ter que negar a todo momento a cor da minha pele:
PRETA, PRETA, EU SOU PRETA
EU QUERO GRITAR PARA O MUNDO, COM ORGULHO
QUE EU SOU PRETA!!

Aline Silva                      

Será que um dia as crianças pretas não precisarão ter preocupações de uma criança preta?

Desabafos na quase madrugada.

AfroBeijos e até o próximo!!

27 agosto 2014

Sou de lá - África!!


Eu não sou naturalmente daqui.
Eu estou aqui pq os meus foram trazidos de lá a força
Porque os seus que lá ficaram
Não sabiam que os meus seriam humilhados, torturados, mutilados...
E que hoje eu carregaria as marcas dessa perversidade
Mas eu olho para essas marcas e lembro dos meus que morreram
Eu olho para essas marcas e lembro de onde eu vim
Eu transformo essas marcas em força
Em grito, em movimento, em música, em turbantes,
Em pentes garfos, em cabelo crespo enraizado
Em história, em livro, em união!!!

Se em África eu não vivo (mais)
África vive em mim!!!
Aline Silva



Foto Retirada do Google Imagem